Grito dos Excluídos ecoa lutas pela terra e pelas vidas das mulheres no centro do Recife
Fotos: COM.Vozes/Cendhec
A sociedade civil foi às ruas e ergueu a voz mais uma vez! No dia 07 de setembro, o Cendhec participou da 32º edição do Grito dos Excluídos e Excluídas do Recife, que levou ao centro da capital pernambucana as lutas pelo bem-viver de todas e todos. Em 2026, o ato carregou o lema “Pela defesa da terra, da paz e da moradia, erguemos a voz: Mulheres vivas e soberania!”, e marchou do Parque Treze de Maio ao Pátio do Carmo.

Mobilizadas/os por motes como o fim da escala 6×1 e do genocídio da população palestina, além do combate ao racismo e ao feminicídio, manifestantes reivindicaram seus direitos em alto e bom som. Denúncias dos ataques à soberania brasileira estamparam muitos cartazes, além da luta pelo respeito à comunidade LGBTQIAPN+ e pela dignidade de pessoas em situação de rua.
Elizabete Godinho, coordenadora geral do Cendhec, enaltece a mobilização do povo nas ruas:
“A relevância desse momento da sociedade civil ocupar as ruas está diretamente relacionada à defesa de um Estado soberano, de uma nação soberana. Então, gritar pela paz, gritar pelo direito à moradia, gritar pelo direito à terra são formas da gente demonstrar que a luta do povo, a luta da população, o reconhecimento da vida das mulheres desse país é muito importante para democratizar esse próprio Estado”.



Em nome do Centro, estiveram no Grito a equipe institucional, participantes da Formação política “Libélulas: Mulheres Protagonistas pela Justiça Climática” e do curso “Com Vozes: Comunicação Comunitária em Pauta”, além dos jovens monitores do Programa Direitos de Crianças e Adolescentes (DCA). O momento também foi dedicado a mais uma ação da Campanha Mulheres e Jovens Protagonistas pela Justiça Climática, da organização social, com a entrega de lenços e panfletos que abordam os impactos das mudanças climáticas nas comunidades.


No ato, as mulheres do Com.Vozes tiveram a oportunidade de pôr em prática conhecimentos adquiridos no processo formativo. Elas tiveram em atividade de fotografia e conduziram entrevistas, em conversa com manifestantes, acessando momentos de escuta e partilha no exercício comunicacional. Para isso, utilizaram a técnica “Fala-Povo”, aplicando uma mesma pergunta, a fim de acolher diferentes perspectivas. Confira alguns dos relatos coletados por elas:
“O que é preciso mudar na cidade para que as mulheres negras tenham seus direitos respeitados?”
“Acho que tem que mudar a perspectiva de como a ausência de políticas públicas direcionada à população negra ainda é debatida nos espaços de decisão. A gente é a maioria da população e ainda é subjugada dentro dos espaços. Quando as mulheres negras têm segurança na cidade, eu acho que muda a lógica da cidade toda.”
Jô Cavalcanti, vereadora do Recife e candidata a deputada estadual em Pernambuco.



“Segurança! Não dá mais para as mulheres negras serem as que mais sofrem, por exemplo, violência doméstica, represente os maiores números de feminicídio. Sempre, quando a cidade for melhor para as mulheres negras, ela vai ser melhor para todo mundo.”
Dani Portela, deputada estadual em Pernambuco, candidata à reeleição.



“A cidade precisa ter mais igualdade e oportunidade para as mulheres negras.”
Maria do Carmo, participantes das formações Com.vozes e Libélulas, do Cendhec.

“Mulheres no poder, porque mulheres no poder, elas sabem bem a dor, elas sabem bem o que trazer para as mulheres, o que mais a gente precisa é mulher negra, periférica, e fazendo uma fala pelo grito dos excluídos, que somos nós, negras e periféricas.”
Adriana Samico, candidata a deputada federal.
“O que te traz às ruas de nossa cidade hoje?”
“A gente acha que é fundamental estar nas ruas hoje para lutar por soberania nacional, defender a classe trabalhadora, o povo pobre e negro, que está morrendo nas periferias, falta de perspectiva da juventude, educação sucateada. Então, a gente tá aqui nas ruas hoje para colocar os excluídos no topo.”
Caio Marx, candidato a deputado estadual em Pernambuco.



“O que me traz às ruas hoje é a luta por vida digna pra todas as pessoas, pela vida das mulheres, mas também um ano tão importante para nós, que é um ano de eleição, pra que a gente cada vez mais garanta a luta contra o fascismo, contra todas as opressões, para que todos tenham vida e vida com dignidade plena.
Enrique Andrade, educador.



O Grito
Criada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a tradicional passeata acontece anualmente, desde 1995, em diferentes capitais do país. O ato público foi demarcado no Dia da Independência do Brasil, 7 de setembro, para questionar o real significado da emancipação e enfatizar o abandono da população marginalizada, excluída da independência formal.
O Grito dos Excluídos não é uma movimentação eleitoral, mas sim um eco de reivindicação pelos direitos humanos, constantemente ameaçados, e por justiça social para aquelas e aqueles que os poderes públicos insistem em excluir.


Além do Cendhec, organizações da sociedade civil, movimentos sociais, religiosos e sindicais marcaram presença na mobilização. Entre as frentes que compareceram, estão a Pastoral do Povo da Rua, a Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara (ABEFC) e o Movimento Sem Terra (MST).
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