Entre escolhas e caminhos, George constrói um futuro traçado pela educação
Na Comunidade do Bode (zona sul do Recife), onde nasceu e foi criado, George aprendeu desde cedo que crescer na periferia é também aprender a fazer escolhas. O estudante de 17 anos carrega no corpo e na palavra a força de quem resiste diariamente às violências que atravessam os territórios, sem abrir mão dos sonhos, da cultura e da fé.
“Eu sempre fui um menino de boa educação, de bom caráter. Minha mãe sempre me ensinou tudo”, conta.
Candomblecista, George encontra na religiosidade e na cultura popular formas de pertencimento e de expressão. Nas poucas horas livres gosta de tocar maracatu, jogar bola, ir à praia ou ao shopping. Essas atividades tornam-se pequenos respiros dentro de uma rotina intensa que começa cedo e termina à noite.
Crescer na periferia é resistir
Estudante do 2º ano do Ensino Médio, George conhece de perto as contradições do território onde vive. Mas mesmo diante dessa realidade, ele faz escolhas conscientes.
A decisão de seguir esse caminho foi fortalecida pela educação, pelo trabalho e pelo acesso à informação. George concluiu um curso de informática profissionalizante pelo Programa Primeiro Emprego e, após isso, conseguiu trabalho em uma cafeteria. Atualmente, estuda pela manhã e trabalha à noite como atendente numa cafeteria.
O encontro com o Cendhec e a formação em direitos
George conheceu o Centro Dom Helder Camara de Estudos e Ação Social (Cendhec) ainda criança, por meio do IASDOC, organização comunitária do Pina, parceira do Centro, quando estava no 8º ano. Participou das atividades na infância e, aos 15 anos, retornou à instituição, desta vez como monitor.
“É na monitoria que estou aprendendo a desenvolver pensamentos sobre a lei do Brasil e do mundo sobre crianças e adolescentes. Através do Cendhec, eu tive um pensamento melhor, elevei meu conhecimento, conhecendo direitos e deveres”, afirma.
A vivência no Cendhec ampliou seus horizontes. Ele passou a conhecer espaços de controle social e de garantia de direitos, como o COMDICA e o CEDCA, além de visitar a sede da organização e a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).
Para George, esse contato fortalece sua transição para a vida adulta. “O Cendhec está me ajudando muito, especialmente neste ano. Como eu já sou adolescente e estou chegando à fase adulta, a mente vai mudando.”
Proteção que se espalha pelo território
Entre os principais aprendizados, George destaca a proteção contra violências sexual e psicológica e o incentivo à autoproteção. “O Cendhec ensina a criança a se proteger, a procurar um adulto de confiança, a não aceitar nada de ninguém”, enfatiza.
O conhecimento não ficou restrito às oficinas. Durante uma roda de diálogo que participou com crianças, George levou livros do Cendhec e replicou os aprendizados, compartilhando orientações e informações com outros meninos e meninas. “Eu fui dando dicas e eles gostaram muito”, garante.
Para ele, espalhar o que aprende é parte da responsabilidade de quem teve acesso à informação. Ao longo da vida, enfrentou o preconceito e a intolerância religiosa por ser candomblecista, uma violência que pode ser silenciosa, mas constante. “Sofri intolerância religiosa a vida inteira. Mas sou muito calmo, não reajo”, relata. Mesmo assim, segue firme. Hoje, mora com a mãe e a madrasta e reconhece que o território onde se vive importa, desde que seja um lugar seguro e onde se sinta bem.
Sonhos em construção e resistência cotidiana
George já pensou em ser professor de Educação Física e pretende fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2026. Por orientação da família, avalia investir nas áreas de gastronomia ou administração e também considera abrir uma barbearia, seguir no esporte com um time comunitário ou até ingressar no Exército, para o qual pretende se alistar ainda este ano. As opções são inúmeras para um coração que mal aprendeu a sonhar e já sabe de toda a sua potencialidade.
E sua mensagem para outros jovens resume sua trajetória: “Força, foco e fé. A gente não pode desistir dos nossos objetivos. Tem que estar focado pra não desistir e ter fé pra suportar os sacrifícios.”
Você pode fortalecer essa Rede de Proteção
Cada oficina, encontro e roda de conversa só é possível com apoio contínuo. Contribuir com o Cendhec é garantir que mais crianças e adolescentes tenham acesso à informação, à proteção e ao direito de sonhar. Junte-se a quem acredita que transformar vidas é transformar a cidade.
Doe para o Cendhec através da chave PIX (e-mail):
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