Cendhec e Selavip visitam assentamentos no Recife em dia de diálogos com moradores
A organização parceira do Centro é atuante em projetos de habitação e conheceu alguns dos locais de incidência do Programa Direito à Cidade
Texto: Camila Deschamps

Nos dias 26 e 27 de janeiro, o Cendhec recebeu a visita da Fundação parceira Selavip, o Serviço Latino-americano, Africano e Asiático de Habitação Popular. A entidade, sediada em Santiago, no Chile, colabora com o Programa Direito à Cidade (DC), do Centro, e esteve no Recife para monitoramento local do projeto mais recente, em 2024, com foco na regularização.
O representante de Selavip, Marc van Overbeke, foi recebido na sede do Cendhec, no bairro da Madalena, por Ana Cláudia Bezerra e Luis Emmanuel, membros da coordenação colegiada do Centro. A Organização Não Governamental (ONG) parceira apoia projetos de habitação e regularização fundiária para populações vulnerabilizadas.
A estadia no Recife proporcionou dois dias de visitas a comunidades assistidas e possibilitou momentos de troca com os territórios. Além do representante de Selavip, estiveram presentes nas visitas os membros do Cendhec Luis Emmanuel, coordenador do DC, e Camila Deschamps, estagiária de Comunicação. Luis, que também é advogado, acredita na possibilidade da visita como caminho para a humanização do projeto de habitação, comumente lento e delicado. O advogado também defende a manutenção da relação com os líderes comunitários e moradores um fortalecedor do trabalho desenvolvido.
“Um dos pilares de atuação do Cendhec é a transparência, e, dentro dessa perspectiva da transparência, quanto mais o financiador tiver perto das lideranças que a gente trabalha, melhor. Que possam vir conhecer o trabalho como é feito, como esse diálogo é realizado rotineiramente, para eles perceberem que a gente não tá nas comunidades somente no tempo do projeto, e sim a todo instante”, explica o advogado.
Córrego do Inácio
Na segunda-feira, 26, o grupo esteve presente na Comunidade do Córrego do Inácio, no bairro de Nova Descoberta, Zona Norte da capital. O representante da entidade parceira e os membros do Cendhec foram recebidos por Emerson Francisco da Silva, líder comunitário eleito pelo território desde de 2022. À frente do conselho de moradores, Mecinho, como é conhecido, reside no Córrego há 48 anos, onde viveu e cresceu.
Na ocasião, junto a Mecinho, os visitantes se reuniram com moradores e conversaram sobre a situação residencial da localidade. Em seguida, caminharam pela comunidade e conversaram com famílias habitantes, a fim de entender as principais dificuldades da pasta na região. A regularização fundiária prevista é de grande espera; muitos sonham em conquistar os documentos que comprovem a posse de seus imóveis.

O Programa Direito à Cidade, do Cendhec, atua no Córrego do Inácio com trâmites de regularização solucionados para 150 famílias até o momento. Mecinho reconhece a força dessa atuação:
“Gratidão por saber que essa organização se preocupa com o bem-estar das pessoas, se preocupa com o acolhimento delas. Então, cada momento que se vem aqui, a gente sabe que temos um parceiro a mais para nos dar essa força no sentido de trazer melhorias para a comunidade, trazer o bem-estar para nossos moradores, nossos conterrâneos.”
Sobre a visita de Selavip ao território, Mecinho pontua: “Estamos muito gratos pela presença do Marc, que esteve aqui em nossa comunidade, que andou junto conosco, que foi conhecer de perto a realidade de nossos moradores, as dificuldades e que se dispôs a nos ajudar, fazer parte desse processo aqui de melhoria e que veio com essas propostas que tem sua organização e de cuidar junto conosco.”
ZEIS Vila Independência
Já na terça-feira, 27, a visita foi realizada na ZEIS Vila Independência, situada no bairro de Nova Descoberta, também na Zona Norte da cidade. Apresentados pelo líder comunitário e presidente da Associação de Moradores e Moradoras de Vila Independência, Anderson Costa Nascimento, os visitantes tiveram a oportunidade de conversar com moradores e entender as maiores demandas do local. Na sequência, o grupo caminhou e conheceu a comunidade.

O trabalho do Cendhec no território iniciou ainda na pandemia, com a Formação Política com jovens da região. Desde então, o vínculo é nutrido continuamente em prol do direito à moradia.
O líder comunitário relata que a regularização fundiária de Vila é um sonho marcado por resistência e reivindicações ao longo de 26 anos. “Quando a gente começou a nossa luta, ela sempre teve a busca para a regulação fundiária, para o reconhecimento do direito da terra e pela moradia. Diversas reuniões, diversos debates, diversas conferências a gente tem participado, justamente nesse sonho, né, de concretizar o direito documental, o direito da gente poder viver numa terra, sob um teto, onde a gente possa dizer que é nosso“, enfatiza. Conforme explica, o trabalho do Cendhec renova as expectativas em prol da conquista do direito de posse.
Para Anderson, a visita da organização apoiadorafoi fundamental para o alinhamento com as demandas mais urgentes da ZEIS, ele pontua:
“Pra gente, enquanto ponta, enquanto comunidade, é muito importante a presença, porque a gente vê de fato que as coisas estão acontecendo e a gente vê que ele tem conhecimento do que verdadeiramente está acontecendo no território, o que aquele território demonstra, o que aquelas famílias de fato passam na pele, no seu dia-a-dia. […] Muito importante mesmo, porque eles estando presentes a gente troca ideias, conhecimentos e busca também maiores ações para dentro de nossas comunidades.”
Comunidade Arca de Noé
Na sequência, a visita se estendeu a mais uma localidade próxima, a Comunidade da Arca de Noé, onde o grupo foi recebido pelo líder comunitário Severino Câmara de Almeida Filho. Sibiu, como é conhecido, apresentou a localidade à Marc, da Selavip, e aos membros do Cendhec presentes.
O momento foi oportuno para conhecer a região e ouvir histórias de moradores sobre sua relação com o território, a exemplo do caso de dona Lindacy Roberto da Paixão. Ela mora na Arca de Noé há mais de 40 anos e refresca a memória ao relatar um pouco de sua história de vida.
“Eu cheguei aqui no começo de 85. Então, vim morar aqui e era cheio de mato, não tinha luz, era a base de candeeiro, cozinhava com lenha. Isso aqui tudinho era barro. A escadaria era feita de barro, a rua era feita de barro, não tinha calçamento nenhum, os moradores fizeram.”

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